As Crônicas de Porto Real

Histórias do Mundo

"Crônicas escritas em sangue e preservadas em pergaminhos que o tempo não ousou destruir."

Capítulo I

O Beijo do Sol Morto

Em um mundo tão vasto e antigo quanto Porto Real, as lendas são as únicas verdades que restam. Dizem os registros que, antes das sombras, fomos um império de luz. Mas a ambição da Casa Sunreign não conhecia limites. Malekith, o Primeiro de seu Nome, desejou o que nenhum mortal ou deus deveria tocar: a essência pura do sol. No ápice do Ritual da Transparência, o céu não se abriu para a divindade, mas se fechou em uma ferida purulenta. O sol foi ferido, e seu sangue dourado escorreu pelos céus, tornando-se o Eclipse Eterno que hoje nos governa.

Foram os nobres reunidos no salão do ritual os primeiros a sentir o peso da maldição. Suas peles tornaram-se pálidas como pergaminho antigo, seus olhos refletiram o âmbar morto do sol ferido, e uma sede que nenhuma água poderia saciar nasceu em suas gargantas — a fome eterna pelo único líquido que ainda carregava calor: o sangue dos vivos. Assim nasceram os Primogênitos da Noite, herdeiros amaldiçoados do desejo de Malekith.

Mas nem todos se contentaram em apenas suportar a maldição. Enquanto a corte se ocultava sob máscaras douradas, alguns eruditos e feiticeiros ousaram estudar as gotas do sangue dourado que ainda caíam do céu ferido. Acreditavam que, se o sol podia sangrar, seu sangue poderia ser moldado — bebido, queimado, invocado. Foram esses os primeiros Sanguimantes, hereges que transformaram a maldição em arte proibida, tecendo magia a partir da própria essência que devorou o sol.

"O sol não morreu… foi devorado. E o que devorou ainda tem fome."

— Sussurro de Floki
Vozes das Raças
"O erro de Malekith foi buscar o poder sem reverência. Nós, os Primogênitos, aprendemos a domar a escuridão que ele libertou — transformamos a maldição em coroa, e a coroa em legado eterno."
Primogênitos da Noite
"Onde os outros viram condenação, vimos um livro aberto. Cada gota do sol ferido sussurra um feitiço — basta ter coragem de sangrar junto para escutá-lo."
Sanguimantes
Capítulo II

O Clamor do Aço e do Gelo

Nem todos aceitaram o jugo da Máscara Dourada. Das arenas de Porto Âmbar, um escravo de sangue e fúria chamado Drekthar Bloodfang liderou a Grande Fuga. Ele não buscou o perdão, mas a sobrevivência no abraço gélido do Norte. Lá, entre as montanhas de Vaelkar, o aço tornou-se a única lei. Onde o Sul via pecado, o Norte via evolução.

Mas Vaelkar nunca esteve vazia. Muito antes da chegada dos fugitivos, as montanhas já pertenciam aos Lobisomens — filhos da lua e da neve, que corriam em matilhas pelos vales congelados desde antes do Eclipse. Para eles, a chegada dos exilados do Sul foi tanto uma ameaça quanto uma profecia: o aço dos homens encontrou as garras das feras, e nem sempre o encontro terminou em sangue. Alguns lobisomens viram nos refugiados aliados contra o avanço do gelo eterno; outros os caçaram como intrusos em terras sagradas.

Foi nesse cadinho de aço, neve e fúria que aconteceu o impensável. Vampiros fugitivos, desesperados por força para sobreviver ao inverno e às matilhas, buscaram pactos profanos com os filhos da lua. O sangue da noite encontrou o sangue da fera, e dessa união antinatural — proibida por ambas as raças — nasceram os Licantropos Sanguíneos. Híbridos amaldiçoados duas vezes, capazes de empunhar o aço sob a luz do eclipse e a garra sob a luz da lua. A Guerra Civil entre Norte e Sul não é apenas um conflito de fronteiras: é o choque entre dois destinos, e os Licantropos caminham na fenda exata entre eles.

"Eles lutam entre si… exatamente como eu planejei."

— Sussurro de Floki
Vozes das Raças
"A montanha era nossa antes de o sol morrer. Quando os pálidos vieram com seu aço e sua fome, ensinamos-lhes que a neve devolve cada gota de sangue derramado — com juros."
Lobisomens
"Eles nos chamam de aberração. Esquecem que somos a única raça forjada por escolha, e não por maldição. Carregamos o pior e o melhor de dois mundos — e ambos nos temem."
Licantropos Sanguíneos
Capítulo III

O Sussurro da Serpente Invisível

Mas há um perigo que não empunha espadas nem usa coroas. Nas fendas entre a realidade e o vazio, Floki, o Deus-Serpente, tece sua teia de discórdia. Ele não exige exércitos, pois sua arma é o sussurro. Ele habita Nokturna e se esgueira pelos mercados de Velmora, plantando a dúvida no coração dos heróis e a traição na mente dos reis. Ao seu lado, os Sem-Rosto caminham — sombras sem identidade que devoram memórias como se fossem banquetes.

E entre os mortais, há aqueles que conseguem ouvi-lo. Os Oráculos das Sombras nasceram da maldição de escutar o que não deveria ser ouvido. São videntes, médiuns e místicos que se debruçam sobre as fendas que Floki abriu no tecido do mundo, traduzindo seus sussurros em profecias. Alguns o servem por devoção, outros o combatem usando suas próprias armas — magia arcana tecida com fragmentos de vazio. Em ambos os casos, pagam o mesmo preço: cada visão consome um pedaço de quem foram.

Eles são o lembrete de que, em Porto Real, o maior medo não é a morte, mas o esquecimento. Enquanto o Norte e o Sul sangram um ao outro, a serpente aguarda o momento em que a última luz se apagará, para que o mundo retorne ao silêncio absoluto do qual nunca deveria ter saído.

"Silêncio… é tudo que restará quando eu terminar."

— Sussurro de Floki
Vozes das Raças
"Vemos a serpente onde os reis veem coroas. Cada profecia que pronunciamos custa uma lembrança — e ainda assim falamos, pois o silêncio dela é pior do que qualquer verdade."
Oráculos das Sombras

✦ Cartografia das Sombras ✦

O Mapa de Ambâr

Toque em um marcador para revelar o evento que ali se desenrolou. Cada cicatriz no mapa é uma página da nossa história.

NPORTO REALVAELKARO VAZIO
Porto Real
Vaelkar
O Vazio

"A história ainda está sendo escrita… em sangue."